Se você decidir se reposicionar, quem vai reagir primeiro?
O medo da reação como freio
Uma das razões pelas quais você permanece no mesmo lugar não é falta de clareza. É antecipação da reação alheia. Você imagina o desconforto, o estranhamento, a possível acusação de egoísmo, a surpresa diante de um limite novo.
Antes mesmo de agir, você já está administrando a reação do outro.
Imagine que você decide dividir tarefas de forma mais explícita. Ou que resolve não assumir automaticamente uma responsabilidade que sempre assumiu. Ou que diz não a um convite que antes aceitaria por obrigação. A mudança é pequena. Mas, no ambiente, gera deslocamento.
Alguém estranha.
Alguém pergunta se está tudo bem.
Alguém interpreta como frieza.
E você sente vontade de voltar atrás para restaurar o equilíbrio antigo.
A psicanálise entende que todo sistema relacional tende à homeostase. Quando uma peça muda, o sistema reage para retornar ao padrão anterior. Isso não significa que a mudança esteja errada. Significa apenas que ela é real.
O desconforto inicial não é prova de erro.
É sinal de que algo foi deslocado.
O que impede muitas mulheres de sustentar mudança não é a decisão em si, mas a dificuldade de tolerar a reação do entorno. Você está acostumada a ser a estável. Quando altera sua posição, o ambiente precisa se reorganizar.
Sustentar esse período exige apoio. Exige espaço onde você possa elaborar a culpa que surge, o medo que retorna, a dúvida que se instala.
Porque mudar não é apenas alterar comportamento externo. É reorganizar estrutura interna.
E reorganização interna não se consolida na solidão. Ela se fortalece na troca, na escuta e no reconhecimento de que outras mulheres também atravessam o mesmo processo.
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