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Qual é o seu “falso descanso” preferido?

O alívio que não descansa

Você chama de descanso aquilo que, na prática, só te desliga da própria vida por alguns minutos. Não é julgamento. É constatação adulta. Porque descansar de verdade exige uma coisa que, para muitas mulheres, virou artigo raro: ficar em contato consigo mesma sem imediatamente tentar consertar alguma coisa, otimizar alguma coisa, justificar alguma coisa. E quando esse contato aparece, mesmo que por pouco tempo, ele incomoda. A mente começa a procurar um desvio, uma distração, uma ocupação. Você não está “sem autocontrole”. Você está treinada para não parar.

Pense num fim de tarde comum. Você senta e decide rolar o celular “só um pouco”. Quando percebe, passou tempo demais. Não porque o conteúdo era tão bom. Mas porque, enquanto você estava ali, você não precisava sentir o que estava por baixo da camada do dia. Não precisava encarar a solidão específica de quem sustenta tudo. Não precisava tocar na pergunta que aparece quando o barulho diminui: é isso mesmo? O celular, a série, a cozinha organizada às onze da noite, o trabalho adiantado fora de hora, até a lista de compras refeita pela terceira vez, tudo pode virar o mesmo mecanismo: uma forma elegante de não sentir.

A psicanálise não chama isso de fraqueza. Chama de defesa. Defesa é aquilo que a gente faz para continuar funcionando. Você funciona. E talvez funcione há muito tempo acima do que seria saudável. O problema é que o falso descanso mantém a engrenagem rodando, só muda o cenário. Você sai do esforço explícito e entra no esforço disfarçado. Não repousa. Apenas se anestesia.

Exemplo prático: você deita mais cedo, mas leva o telefone. Diz que é para relaxar. Quando percebe, está comparando sua vida com a de alguém que não tem a sua rotina, ou está consumindo informação que aumenta a sensação de urgência, ou está respondendo uma mensagem que não precisava ser respondida agora. E, quando finalmente apaga a luz, o corpo está cansado, mas a mente está acesa. Você não descansou. Você se distraiu.

O primeiro movimento adulto não é largar tudo, nem prometer recomeço. É reconhecer com honestidade: qual é o meu falso descanso favorito, e o que ele está me ajudando a evitar? A resposta não vem com frase pronta. Mas ela abre uma fresta. E, para uma mulher que vive fechando frestas para não desabar, abrir uma já é um ato de cuidado.